Kika

Você ainda não se foi,
mas já sinto sua falta.
Dói-me não poder estar contigo,
mas o que poderia fazer?
Um último aceno,
um carinho demorado,
sentir seu cheiro pela última vez.

De que adiantaria, no entanto?
Nada disso muda o fato
de que você está indo embora.

Foram longos dezesseis anos,
onde te vi crescer e cresci contigo.
Foram diversas as alegrias e os sustos,
mais da metade da minha vida.

Penso agora em você recém-nascida,
frágil e linda.
Em você jovem,
elegante e arteira,
indomável.
Sempre teve seu jeito,
nunca se dobrou a ninguém.

Agora, nos últimos meses de sua vida,
era visível o cansaço acumulado.
O corpo já não respondia tão bem,
faltava-lhe a agilidade de outrora.
Mas jamais perdeu sua elegância,
sempre te achei linda, a mais linda de todas.

E quando você reclamava sem parar,
chegando até a incomodar,
maltratada pelo tempo,
eu só a via em seu esplendor.
Sabia que sua vida chegava ao fim,
preparava-me para o inevitável.

Eis que tem início o processo
e escrevo rápido para me curar,
porque não posso estar contigo,
mas de que adiantaria também?
Conservo na memória sua lembrança mais bonita,
a única que lhe faz jus.

Vá em paz. Eu te amo.

(Felipe Esteves)

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